

Publicado em 14/09/2026.
“Somente o perdão liberta e traz a luz de volta”, afirmou o Papa Leão XIV durante o Angelus do domingo, convidando os fiéis reunidos na Praça de São Pedro a fazer do perdão uma regra de vida, tanto nas relações pessoais quanto na vida das comunidades.
Ao comentar o Evangelho do dia (Mateus,18-21 a 35), o Papa recordou que o perdão ensinado e vivido por Cristo até a cruz é “indispensável” para construir a paz e evitar que os conflitos se transformem em rancores, divisões ou guerras.
Em sua meditação, proferida da janela do Palácio Apostólico do Vaticano, o Papa retomou a passagem em que Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar o irmão que comete uma falta contra ele: “Até sete vezes?” Como o número sete simboliza a plenitude na Bíblia, essa proposta já manifesta, segundo o Papa, “um coração generoso”. Mas Jesus vai além: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”, responde Cristo, exortando, assim, a um perdão sem limites e “sem medida”.
Para o Papa, essa resposta ganha todo o seu sentido na parábola do servo cuja dívida para com o seu senhor é tão vultosa que se torna praticamente impagável. Tendo obtido o seu perdão por pura misericórdia, o homem mostra-se, contudo, incapaz de conceder ao seu companheiro uma clemência comparável. Essa contradição permite a Jesus recordar que “o dom e o perdão estão na base da nossa existência”.
“Tudo nos é dado por Deus por puro amor, e nenhum de nós pode dizer-se perfeito na sua resposta a tanta bondade”, ressaltou Leão XIV. Dessa gratuidade recebida decorre, segundo ele, uma regra essencial para a vida em sociedade: “a gratuidade, que é a fonte da nossa própria vida, é também a melhor regra para a nossa vida em comunidade”.
Diante dessas situações, Leão XIV apresentou o perdão como uma força capaz de reabrir um futuro onde tudo parece obscuro: “Somente o perdão liberta e traz de volta a luz, mesmo onde a pobreza material e moral do homem, por um instante, obscureceu o horizonte e tornou incerto o caminho”, explicou. Ele comparou o perdão a “um vento benéfico” que dissipa “até mesmo as nuvens mais densas” até fazer o sol reaparecer.
O Pontífice deteve-se na figura de Pedro, diretamente envolvido no Evangelho do dia. O primeiro dos Apóstolos experimentou ele mesmo a misericórdia após ter negado Jesus durante a sua Paixão. À beira do lago, após a Ressurreição, Cristo não lhe dirige nenhuma censura, mas pergunta-lhe simplesmente: “Simão, tu me amas?”, antes de lhe dizer: “Segue-me!”
Para Leão XIV, essa cena mostra que o perdão de Jesus não se contenta em apagar o passado: ele restaura uma relação e permite retomar uma missão “como se nada tivesse acontecido”. O sucessor de Pedro demonstrou, assim, que o perdão concedido por Jesus ao seu distante predecessor foi o ponto de partida de toda a história do papado, ancorada, desde a sua origem, numa dinâmica de misericórdia. “Essa caridade, que esquece e cura, marcará, para o primeiro dos Apóstolos, a confirmação de sua missão”, explicou o Papa.

Santa Teresa de Ávila
“Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa. Deus não muda. A paciência tudo alcança.”


DIÁRIO DE SANTA FAUSTINA
“Se a alma não praticar a Misericórdia de um ou outro modo não alcançará a Minha Misericórdia no dia do juízo. Óh! Se as almas soubessem armazenar os Tesouros Eternos, não seriam julgadas, antecipando o Meu Julgamento com obras de Misericórdia” (Diário, 1317).

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